A prevenção à infecção pelo vírus HIV é um dos maiores avanços da medicina nas últimas décadas. Entre as ferramentas disponíveis, duas siglas se destacam: PrEP e PEP.
Ambas consistem em estratégias de uso de medicamentos antirretrovirais para evitar a infecção pelo vírus, mas são indicadas em contextos diferentes.
Hoje, vamos explicar o que é cada uma dessas abordagens, como funcionam e em que situações devem ser utilizadas.
O que é a PrEP?
A PrEP é a sigla para Profilaxia Pré-Exposição ao HIV. Trata-se do uso preventivo de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não vivem com o vírus, mas que apresentam maior risco de exposição. O objetivo é evitar a infecção antes mesmo de um eventual contato com o HIV.
Atualmente, a PrEP é feita com o uso de um comprimido diário, que combina dois medicamentos: tenofovir e emtricitabina. Quando tomados regularmente, esses fármacos criam uma barreira eficaz contra a infecção, com eficácia comprovada acima de 95% em relação ao HIV.
Mas para que dê certo, você deve manter a consistência no uso, e mesmo pequenas falhas na rotina podem comprometer a proteção.
Quem deve usar a PrEP?
A PrEP é indicada para pessoas que, por suas práticas sexuais ou condições de vida, estão mais expostas ao risco de contrair HIV. Entre os principais grupos, estão:
- Homens que fazem sexo com homens;
- Pessoas transgênero;
- Profissionais do sexo;
- Pessoas com parceiros sorodiferentes (uma vive com HIV, a outra não);
- Pessoas que fazem sexo anal ou vaginal sem preservativo com parceiros de status sorológico desconhecido.
Antes de iniciar a PrEP, é necessário a realização de exames para confirmar a soronegatividade e a saúde renal do paciente, além de testagens regulares durante o uso da medicação. O acompanhamento clínico também serve para monitorar a função hepática, a saúde geral e a adesão ao tratamento.
O que é a PEP?
A PEP é a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV. Nesse caso, o tratamento é iniciado após uma situação de risco, como uma relação sexual sem preservativo com uma pessoa que vive com HIV ou cuja sorologia é desconhecida, acidentes com material perfurocortante ou abuso sexual.
O protocolo envolve o uso de três medicamentos antirretrovirais diferentes durante 28 dias. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível após a exposição, de preferência nas primeiras 2 horas e no máximo até 72 horas.
A PEP é considerada uma urgência médica. Quanto antes for iniciada, maior a eficácia na prevenção da infecção. O protocolo inclui também testes para HIV e outras ISTs antes e após o tratamento, além de orientação sobre práticas sexuais mais seguras.
Quando usar a PEP?
A PEP é recomendada em casos como:
- Relação sexual desprotegida com risco de exposição ao HIV;
- Rompimento de preservativo durante a relação sexual;
- Compartilhamento de seringas ou materiais para uso de drogas;
- Acidentes ocupacionais com sangue ou fluidos corporais em profissionais de saúde;
- Violência sexual.
A avaliação médica inclui a análise do tipo de exposição, do tempo decorrido e da saúde geral do paciente. Em algumas situações, mesmo que o risco seja baixo, a PEP pode ser indicada como medida de precaução.
A PrEP e a PEP são seguras?
Sim, ambas as formas de profilaxia são seguras e bem toleradas pela maioria das pessoas. Alguns efeitos colaterais podem ocorrer, como náuseas, diarreia ou dor de cabeça, mas tendem a ser leves e transitórios. O acompanhamento médico garante a adesão e a segurança do tratamento.
A longo prazo o uso contínuo da PrEP não está associado a efeitos colaterais graves e pode, inclusive, ser uma porta de entrada para outros cuidados com a saúde sexual. O mesmo vale para a PEP, embora o regime de medicamentos seja mais intenso por um curto período.
Onde conseguir PrEP e PEP no Brasil?
Ambos os tratamentos estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema único de Saúde (SUS). Para ter acesso, é preciso procurar um serviço de saúde que ofereça o os tratamentos, como Centros de Referência em IST/Aids ou Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde será feita uma avaliação individualizada. Em casos de urgência (PEP), hospitais públicos e prontos-socorros também estão habilitados a iniciar o tratamento.
Nos centros especializados, a pessoa passa por triagem, coleta de exames e orientação antes de iniciar o uso dos medicamentos. A PrEP é oferecida de forma contínua, com retorno periódico. Já a PEP é iniciada imediatamente e monitorada ao longo de um mês.
PrEP e PEP no contexto da saúde pública
Além da eficácia individual, essas estratégias também contribuem para a redução da transmissão comunitária do HIV.
A inclusão dessas ferramentas nos protocolos do SUS, com distribuição gratuita, reforça o compromisso do Brasil com o direito à saúde. Ainda assim, o estigma e a desinformação ainda afastam muitas pessoas dessas formas de prevenção.
Vale ressaltar que tanto a PrEP quanto a PEP são ferramentas valiosas na prevenção do HIV, especialmente quando combinadas com outras medidas como o uso do preservativo, a testagem regular e o acesso à informação.
Falar sobre PrEP e PEP é também falar sobre autonomia, dignidade e autocuidado. A prevenção não deve ser um tabu, e sim, uma escolha consciente e incentivada.